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quarta-feira, janeiro 04, 2012

Tales

Lara é um ser que fala. Fala várias palavrinhas, repete tudo o que a gente diz e, o resto do tempo, passa falando o que a gente acha ser japonês. E é lindo ver a criança descobrindo os significados das palavras. Chutando usos, dizendo descer para subir, abrir para fechar, etc...

De tanto me ouvir falar "no papel, Lara", tudo o que se refere a desenho para ela é "pepel". Caneta é pepel, giz de cera é pepel, rabisco é pepel. Até o próprio papel é pepel.

Hoje ela me chamou : "mamãe, a mão" (que é o que diz quando quer nos levar a algum lugar. Me levou até a porta do quarto e mostrou "pepel". Ela tinha feito uma obra de arte com giz de cera.

No último dia da nossa viagem a Goiânia, meu pai desenhou um relógio com caneta no punho dela. Hoje, 15 dias depois, eu perguntei "que horas são, Lara?". Ela olhou o punho e disse "Vovô, pepel". Linda.


PS: Filha, a mamãe tem que te dizer uma coisa. Qualquer que fosse sua personalidade, eu te amaria muito. Mas é bom demais ser mãe de uma menina tão encantadora como você. Você alegra o ambiente onde quer que vá, conversa com todo mundo, vai no colo de todo mundo, dança com os amigos da mamãe e com os pais dos amigos da mamãe. Dá "dia" e "tádi", pede "favô", diz "dada", diz "tautau" e "babye". E faz tooooodas as gracinhas que a mamãe pede, (tanto que dizem que eu te amestrei,hehe). Sério, você é muito legal e é um orgulho ser sua mãe. (E a gente ainda recebe elogios por isso!!)

quarta-feira, setembro 01, 2010

Missing you


Minha filha nasceu não só na véspera do meu aniversário, mas também na véspera de completar 10 anos que eu efetivamente me mudei para Brasília. Só hoje eu tenho a noção de que esse episódio foi determinante não só na minha vida, mas na vida da minha mãe e da minha irmã também.

Eu tinha 16 anos e morava em Caldas Novas quando passei no vestibular aqui em Brasília. E minha mãe me deixou vir. E eu me lembro na época as pessoas falando “sua mãe é louca por te deixar ir” e eu só pensava “deixou? Mas eu nem pedi!”. E hoje eu entendo a grandeza desse gesto.

Minha mãe me deixou ir. Me deixou ser. Eu sei o quanto ela sofreu por ficar sozinha para trás com uma filha de 12 anos. Eu sei o quanto a minha irmã sofreu por passar a ser praticamente uma filha única naquele momento. E nem mesmo quando eu ligava chorando minha mãe me pedia para voltar, pelo contrário. Ela às vezes era até dura ao dizer “se você voltar, a gente vai ter que te arrumar um emprego de caixa de supermercado”.

Eu não sei se eu teria essa grandeza, esse altruísmo de deixar minha filha seguir a vida dela longe de mim tão cedo. Tantas vezes eu me questionei se valeu a pena todo o sofrimento por ficar longe da minha família. Para quê? Para estudar, ter uma carreira? Foi sacrifício demais, não?

Mas agora minha mãe fala que eu tive que sair de lá para conhecer o meu marido e ter a Lara. É como se tudo se justificasse de repente, como se não fosse em vão.

E hoje minha mãe foi embora. Dez anos depois de eu ter deixado a sua casa, minha mãe veio me ajudar em um momento tão delicado. Mais do que me ajudar com a Lara, minha mãe me deu banho, colocou minha cinta, me ajudou a me limpar. Minha mãe é minha mãe mesmo após eu a ter deixado por uma década.

E eu estou bem triste hoje por morar longe da minha família. E eu sei que minha mãe, meu pai e minha irmã também estão – e a família do meu marido também , que em grande parte está longe. Lara tem duas tias em Goiânia, uma no Rio e um nos Estados Unidos.

É isso. O meu sonho sempre foi colocar todo mundo que eu amo vivendo pertinho – e eu consegui isso por apenas uma noite, no meu casamento, quando as pessoas se despencaram para Goiânia por nossa causa. Agora, mais ainda, eu queria muito que a minha família e os amigos distantes convivessem diariamente com a minha filha. E vai ser difícil aceitar que a vida não é assim.

segunda-feira, maio 11, 2009

Mulheres

Eu adorava Confissões de Adolescente. Lembro que nem adolescente era, mas já lia o livro e via a Deborah Secco na TV. Daí que nessa semana vi que a Maria Mariana - que eu achava liiiinda - escreveu um outro livro, Confissões de Mãe. Pensei: "putz, taí um livro que eu vou querer ler quando engravidar", porque, né, se adorei o primeiro vou adorar o segundo também. E fui ler a entrevista dela na Época.
Qual foi a minha surpresa ao ver que a mesma menina que aos 19 anos escreveu um livro revolucionário disse isso:

"o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme".

Como diria o Didi, Cuma?
Da onde saiu isso? Mais alguém acha que nós estamos vivendo um feminismo ao contrário, que existe uma onda de revalorização do papel da mulher como dona de casa? Até certo ponto é positivo, porque realmente a mulher e o homem não são iguais. Por isso eu respeito quem decide parar de trabalhar para criar o filho ou quem muda de emprego para trabalhar menos, quem curte cuidar da casa, da roupa, essas coisas. Mas eu respeito por se tratar de uma escolha! Não por achar que Deus determinou que o homem segure o leme. Se a mulher quiser segurar o leme, é uma escolha que ela faz, se não quiser também. Ditto para o homem.



PS: Acho que é por isso que às vezes eu tenho um pouco de dificuldade de me empolgar com a preparação do enxoval. Ou que eu não gosto de ficar falando o tempo todo de casamento, principalmente perto de quem não quer saber disso. Porque são anos de feminismos enfiados no meu cérebro, é inconsciente sentir um pouco de culpa ao exercer o lado feminino tão fortemente assim.
PS2: E eu falei para a minha mãe que um dia quero fazer curso de Corte e Costura. Porque eu tenho tantas ideias na cabeça e gostaria de executá-las. E ela morreu de rir da ironia. Porque eu sou neta de costureira, tenho várias tias costureiras, e minha mãe nunca quis ir para esse lado porque teve que trabalhar desde cedo e percebeu que o caminho era estudar. E me ensinou isso. Agora a filha jornalista dela, quem diria, quer costurar!
PS3: Não se assustem. É que aqui no blog eu pareço ser bem mais mulherzinha do que eu realmente sou, hehe.

sexta-feira, abril 17, 2009

Role model

Eu tenho uma afilhada linda de oito anos que, né, modéstia à parte, me ama. E é um grude comigo, me cobra visita, me cobra a Barbie que pinta o cabelo, me cobra o casamento que não chega logo para ela ser a dama. E eu tirei o meu nome do orkut, substituí pelas minhas iniciais, para fugir de leitores doidos (não do blog, do trabalho mesmo) que me achavam lá.
E agora o orkut dela está assim: A.V.
Igualzinha à madrinha.
Como que eu não dou a Barbie??