quinta-feira, abril 25, 2013


Aos poucos eu vou me sentindo melhor em Curitiba.

Tem muito a ver com o fato de eu ter uma pessoa para ficar com a Lara duas noites por semana, quando saio como adulta, confesso. Preciso, sempre precisei, desde ela bebê que eu a deixava dormindo pra ir no restaurante da quadra. Deixo dormindo até hoje “mamãe vai no restaurante de adulto”, ela dorme a noite inteira, mas sabe que eu vou dar uma saidinha. Às vezes eu saio de casa 23h, às vezes nem quero sair, mas me forço, vou, e sempre é bom.

Tem a ver também com eu estar trabalhando mais. Dias cheios me alegram, apesar de eu não ter conseguido estabelecer uma rotina. As propostas de trabalhos fixos não compensaram ter que ficar oito horas longe de casa, então continuo como freelancer, o que tem sido uma surpresa boa. Os contatos que eu fiz pelos anos têm rendido muito, muita coisa aparecendo, dá para fazer um dinheirinho e ficar mais tempo com Lala. Ainda sinto falta de me arrumar para sair diariamente, mas passo o dia no facebook (tenho que reduzir) e no whatsapp (ditto), então até parece que tenho colegas de trabalho.

Tem muitíssimo a ver com a minha especialização ter começado e eu me sentir com um propósito na vida de novo. Vou fazer a especialização, que é preparatória para a prova do mestrado, não é um propositão? Me sinto tão inteligente sentada  naquelas cadeiras, é tão bom.

E assim vamos indo. Aproveitando o máximo a cidade, fazendo amizades devagarzinho, está melhorando. Demora, porque para mim foi um luto terrível, principalmente o deixar o meu emprego. Foi como uma pequena morte, e eu ainda choro ao lembrar do que eu deixei para trás. Mas vamos renascendo. 

PS: Mas tem coisas que são simbólicas, né, Freud explica. Ainda não consegui mudar a cidade que moro no Facebook. Lembro que, quando voltei de Londres, fiquei "morando" na Inglaterra no Orkut (era 2005) por muito tempo ainda. Vai entender. 

quinta-feira, abril 11, 2013

Lara é cultura

Eu sempre gostei de visitar museus, de apresentações de música clássica, balé, teatro... Não, eu não entendo nada da técnica, tenho algum conhecimento de história da arte, mas ah, a beleza me encanta tanto que meus olhos enchem de lágrima diante de um quadro ou ouvindo uma música.
Sempre quis dar o máximo de experiências legais pra minha filhota. Como diz a minha mãe, a gente não pra quieto, e eu acho válido levá-la a um monte de lugar, mesmo novinha.
Aqui em Curitiba esse lado cultura se intensificou. Primeiro porque a cidade oferece muita coisa. E segundo porque aqui a gente não tem aquela agenda social que tinha em Brasília, cheia de aniversário, casamento, etc, então sobra tempo para curtir a programação do jornal, hehe.
E Lara acompanha, Lara participa, Lara curte. Não, ela não fica parada observando os quadros, nem ouvindo o violino tocar. Mas ela visivelmente absorve muita coisa e aproveita a experiência. Lara é cultura!


Lara no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba) curtindo a exposição do Di Cavalcanti:



Lara indo ao teatro pela primeira vez aos 11 meses, do CCBB (Brasília):


Lara ama livrarias (Brasília- 9 meses):


Lara na apresentação da Orquestra Sinfônica do Paraná:


Lara e a bailarina de Degas (Curitiba):


Lara e seu quadro de Di Cavalcanti preferido (Curitiba):


Lara na exposição dos impressionistas no CCBB do Rio (RJ)


Lara no cinema (Brasília - 2 meses)


Vamos ver o programa (Curitiba)



sexta-feira, março 15, 2013

Aborrescente

Lara senta no chão, cruza braços e pernas, faz cara de emburrada.

- Que foi filha?
- Você sabe o que foi.

- (????? Juro que não sabia!!) Você está triste?
- Você sabe que eu tô tiste

- (????) Sei não filha, conta para a mamãe! Você está chateada?
- Você sabe porque eu tô chateada

Depois de muita insistência e colo, ela conta (ou inventa, hehe) o motivo de tanto drama. Aponta para o casaco e diz:

-Ô não quero essa rôpa.

Estou feita.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Fofuras

Antes que o tempo passe e a gente esqueça, coisas fofas que você fala errado:

- Logo mau (lobo mau)
- Mamãe de mim, quarto de você
- Sapatile (sapatilha)
- café de amanhã (café da manhã)



quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Passa uma ambulância e Lara logo pergunta.
- Que balulo é essi?
- É uma ambulância
(cara de que não entendeu nada)
- É um carro que busca as pessoas quando elas estão muito doentes
- É você! A ambulança vai pegá você porque seu ombu tá doendo. (Quando foi que eu disse que meu ombro estava doendo, gente?).
- Não, filha, vai buscar outra pessoa.
- É, a mamãe não pecisa, ô tô cuidando de você.

Doutora Lara, em ação.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013


Em algum momento minha filha virou uma criança e eu nem vi.
Fico aqui, boquiaberta, vendo essa menina grande, de pernas compridas, cabelo grande e mil palavras. E só me lembro que era um bebê, meu Deus, ainda ontem. Em que momento você cresceu tanto, filha?
E as preocupações são outras, né? Era mais fácil quando era cólica, sono, comida. E as respostas para as preocupações com o desenvolvimento da criança não estão nos blogs, não estão nos livros, não estão nos grupos de discussão. Cadê?
Sua esperteza e desenvoltura, que tanto enchem de orgulho meu lado mãe de miss, também me assustam, filha. E se você sofrer por causa disso? E se não tiver maturidade para lidar com esse mundo de palavras e brincadeiras que você quer perseguir? 
Quero te poupar, te manter bebê, mas você tem asas. Será que eu te estimulei demais? Ou você já nasceu assim, livre, que nem a mamãe ouviu tantas vezes ter nascido.
Não quero que você seja a criança-adulta que eu fui, não quero que pule etapas, quero que vá devagar, no seu ritmo. Mas que ritmo rápido é esse que a gente rebola para acompanhar?
Sua felicidade aquieta meu coração. Mamãe se preocupa com tudo, como pode? Você correndo feliz com as crianças maiores, mamãe preocupada. Chega um bebê e você brinca também, mamãe alivia. Como se dependesse de mim te manter criança. 
Escondo os batons e as maquiagens, escondo a programação infantil da televisão, é suficiente? 
Te poupo do mundo ao mesmo tempo que te crio assim, independente. Te pari espoleta e esperta, mas só quero que você seja feliz. 

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Diálogo surreal do dia:
- Mamãe, por que a bailarina não tem?
- Não tem o quê filha? (segundos pra lembrar que se tratava de uma música)
- Remela!
- Ah, porque ela é muito bonita (péssima resposta, eu sei,mas por que, gente, por que??)
- Eu sou muito bonita e tenho remela!

Sad, but true.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Depois do Natal, Lara chega a Goiânia e tem uma caixa de presentes esperando por ela, roupa, sapato, brinquedo.
Feliz da vida, ela comenta: "Lemba aquela ôta vez eu vim aqui e não ganhei nada?".
Mata de vergonha essa menina.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Tagarela

Sair de casa com a Lara agora é assim:

Mãe - Filha, vamos no museu?
Lara -Vamos, deixa só acabar imaginadores
(...)
M - Tá com sono, filha?
L - Não, eu dumi cedo (????)
L - Mamae, no museu tem banheiro? Tem vasinho pequenininho? (tão preocupada com a inclusão das crianças). Quero fazer xixi no banheiro de mim!
(...)
L - Mamae, esse vestido está estanho. Vamu colocar a calça? Sem calça faz fio na rua!
L - Vamu comê pão com manteiga?
M- Acabou a manteiga.
L- Ah, não acredito, o papai comeu tudo!
Embaixo, no prédio
L- Não tem quiança no paquinho! Ah, que pena!


Isso antes de chegar no carro!!

(Lara anda tão tagarela que não para um segundo. Quando não está alando, esta cantando.Outro dia, parou de cantar e começou a declamar "batatinha quando nasce". Céus!).

segunda-feira, outubro 15, 2012

Estou aqui quebrando a cabeça com um pre-projeto de mestrado, quando me veio um tema perfeito:

"A importância do segundo filho: uma abordagem empírica-social e o imaginário popular".

Rá!

domingo, setembro 30, 2012


Fico revoltada quando vejo uma matéria dessas. Coitado do riquinho, três anos sem conseguir passar no vestibular e agora vem um negro pobre tomar a vaga dele. Um verdadeiro drama.
Quando as pessoas vão entender que o seu mérito é afetado pelas oportunidades que você teve na vida. Eu estudei a vida inteira em escola particular, no interior, com bolsa, ou pública e passei em universidade pública sem cota. Exatamente por isso, eu defendo as cotas, porque eu sei o quão mais difícil é para aqueles que não tiveram acesso a uma educação de ponta.
Senta a bunda na cadeira da sua escola de R$ 250 mil e vai estudar para depois concorrer de igual para igual com quem teve as mesmas oportunidades que você. Drama está vivendo os outros 50%.
Humpft.  

quinta-feira, setembro 20, 2012


Eu ia escrever um post sobre a adaptação da Lara à mudança na semana passada, dizendo que estava tudo lindo, maravilhoso.
Aí na sexta-feira ligaram um botão da birra aqui em casa e eu ia dizer que estava um inferno, ela chorava pra tudo, comer, dormir, ir pra escola.
Aí ontem e hoje ela não chorou pra ir pra escola e as coisas melhoraram um pouco.
Ou seja, aqui estamos no cada dia com seu sofrimento. A coitadinha chegou animada, foi animada para a escola nova, em três dias disseram que estava adaptada e já ia no horário regular, sem mamãe por perto.
Aí acho que deu um nó na cabecinha, às vezes perguntava “aqui é Basila?(Brasília)”, poor thing.
E não sei se é mudança ou terribles twos, mas está cheia de vontades, deu para chorar quando antes não chorava. Outro dia foi tanto drama na hora de dormir que no dia seguinte já acordou dizendo “eu chorei tanto”. Estou tentando manter as regras, mas dando muito colinho e carinho ao mesmo tempo, conversando, explicando a mudança, contando como foi quando a mamãe teve que mudar de escola (ela adora quando conto histórias minhas, mesmo que inventadas).
Já a minha adaptação está bem mais difícil. Acho que rolou uma depressão básica nos primeiros dias, eu em meio a um mundo de caixas (76 caixas, fora móveis e eletrodomésticos, quem junta tanta tralha!!) só queria deitar, ver TV e chorar. Mudança, carreira, problemas pessoais, todos amontoados em uma bola de neve depressiva.
Longe da Lara, claro, pra não deixar a bichinha mais confusa.  Mas acho que a tristeza acaba passando pra ela, e aí eu choro mais, de culpa, por não estar seguindo meu plano materno à risca, por não conseguir poupa-la de todo o sofrimento do mundo.
Mas estou melhorando. Casa começa a ficar com cara de casa. Fiz matrícula em uma academia, olha só. E vamos ver se eu consigo tocar a vida, concretizar planos, parar de chorar pelo leite derramado.
Enfim.
PS: Fomos no Beto Carrero e na praia no feriado, levamos a Lara na orquestra sinfônica para crianças e nesse fim de semana tem Disney Live! Tem seu upside, ne? 

sexta-feira, agosto 17, 2012

Dois anos

 





Filha querida,
Você completou dois anos no último sábado, para a alegria de todos nós. Talvez você ache que é corujisse nossa, mas você está linda, fofa, inteligente, esperta, obediente, maravilhosa. Ontem, depois de quase uma hora da mamãe tentando te colocar pra dormir, você me disse: “não adianta, mamãe”. Oi? E outro dia que você virou para a vovó e disse “a vovó é muito importante?”. Muito gênia!!!
Esperou tanto pela sua festinha, só falava disso, que queria “sopá véia”, “comê docinho”, ir no pula-pula. E esse ano a festa foi mesmo para você, como você se divertiu, pulou, brincou o tempo todo, foi correndo receber os amiguinhos, transbordou de felicidade na hora do parabéns. E comeu doce, viu? A mamãe já está até arrependida de ter liberado as guloseimas!! Não tem uma foto em que você não está com um docinho na boca!
A mamãe resolveu que ia ser a decoradora de novo e, posso te falar? Ano que vem a sua festa será na escola ou em um buffet, nossa, cansei demais (lembrar de reler esse post antes de inventar de decorar festa sozinha).
Ganhou tanto presente que dá para montar uma casa! Geladeira, fogão, pia, aspirador de pó, uma casinha enorme! A mamãe ficou preocupada com esse excesso de utensílios domésticos e te comprou uma caixa de ferramentas. Virei à esquerda na loja para o lado dos meninos e descobri que lá tem muita coisa legal também! Você está adorando brincar com a “chave inguesa”, não está? 
E a sua festa marca nossa despedida de Brasília. Mamãe está aqui, entre encaixotar coisas e resolver problemas, preocupada com o impacto de toda essa mudança na sua vidinha. A mamãe é muito preocupada, sabe? Como será pra você viver em uma nova cidade, ir para uma nova escola, deixar para trás vovô, vovó, tios, primas que você tanto gosta? Ao mesmo tempo, me preocupa tanto você estar há meses sem seu pai todos os dias. Você fica tão tristinha quando ele vai embora, corta meu coração e eu não vejo a hora de vocês estarem reunidos, vivendo o dia-a-dia juntos nessa relação tão bonita de vocês dois.



Tenha certeza que a mamãe está fazendo de tudo para que você fique bem (às vezes isso significa não te dar as coisas, não te deixar comer doce ou te obrigar a guardar os brinquedos). Te amo minha “buxa má”, que de má não tem nada.  

segunda-feira, agosto 06, 2012

Enxoval


A poucos dias dos dois anos da minha bebê, é oficial: o enxoval da Lara acabou. Eu estou ignorando as calças na metade da canela, os sapatos apertados, os pijamas que deixam o braço todo para fora para esperar passar a festa e fazer um balanço dos presentes ganhados e do que mais precisarei comprar.
A verdade é que eu comprei um bando de roupa no enxoval que fiz em Orlando, e mais um bando que mandava para a casa do cunhado que morava fora. E, gente, a Lara foi a primeira neta, sobrinha, filha da amiga. Comprei tão pouca coisa aqui que mal me recordo onde vende roupa de criança. O vestido do primeiro aniversário, assim como o do segundo, eu tirei dos sacos de roupa guardados no maleiro para serem usados um dia. O do batizado, reformei o que foi meu um dia.
O vestido dos dois anos, eu me lembro, foi o cunhado-padrinho que deu. Eu ri quando ganhei e disse “nossa, vai demorar séculos para ela usar”. Bom, será no próximo sábado, quando a minha pequena faz aniversário mais uma vez.
Agora estou tão perdida que não sei nem por onde começar. Não existe uma lista de enxoval para os dois anos? Tipo aquela “cinco bodies de manga curta/cinco manga longa”?
As roupas que faltam são metáforas dos meus novos desafios. Meus livros falam de como criar crianças até os dois anos. Eu não me preparei psicologicamente para o que me espera. Eu só sabia cuidar de um bebê. E agora, eu só sei que o que vem são os terribles twos. Minha filha está crescendo tão rápido que nem os outlets dos EUA conseguem acompanhar. 

sexta-feira, julho 27, 2012

Eu aqui organizando de novo festa de aniversário para a Lara e pensando: "mas não foi ontem que eu fiz a festa de 1 ano? Minha conta bancária ainda nem se recuperou!".
Tempo, seu danadinho.

terça-feira, julho 17, 2012

Uma pausa no mimimi para dizer que a minha filha já sabe "ler"!!! Por causa de um brinquedo com o nome dela, ela agora reconhece o "L" de Lara, "A" de amor e "R" de rato. Uma ótima distração em restaurantes, procurar letras no cardápio!

terça-feira, julho 10, 2012


Hoje eu estava conversando com uma colega que acabou de se descobrir grávida. E saí tão emocionada dessa conversa! 
As pessoas falam muito das dificuldades de se ter filho. Eu também, vide post abaixo. Mas é muito maneiro, gente! A vida muda, você dorme menos, sai menos. Tudo isso é verdade. 
Mas é legal demais! É muito amor. Muita beleza, muita emoção.
E naquela de parabéns, que legal, e tals, ela me desejou felicidades na minha mudança. E eu disse "sim, sim, mas quero voltar logo". Ao que ela respondeu: "sim...ou então, vocês começam uma vida linda por lá e não vão querer mais voltar...nunca se sabe. O importante é que vocês sejam muito felizes".
E é disso que eu tenho medo,sabe.
Medo de me encontrar em outra vida.
De mudar os meus sonhos. De gostar.
Porque ser jornalista me define. Jornalista de jornalão, de redação, de pescoção. De economia, de Fazenda, de macro. That’s me.
E eu me lembro que tinha medo de o fato de ser mãe me mudar demais e eu deixar de ser aquela pessoa. E é claro que eu mudei, e eu nem sei se o que me definia lá ainda me define e puxa eu sou tão feliz com a maternidade que às vezes me pego pensando em um segundinho (a longo prazo, esclareça-se), olha que loucura!
Mas eu gosto da eu de hoje, sabe. Tenho medo de ser feliz de outro jeito, olha que loucura2!!! Gosto tanto da minha vida e dos meus amigos que não quero nem fazer novas amizades. Quero congelar a vida aqui, dar um pulo ali e voltar.
Como faz para abrir o coração?

terça-feira, julho 03, 2012


Sendo bem sincera, eu não sei como consegui sobreviver a esses últimos meses.
A verdade é que eu só conseguia manter um trabalho tão hard core porque husband segurava seus 50% da barra. Só quando ele passou a estar em outra cidade durante a semana é que eu fui ver isso. Não dá para os dois trabalharem em trabalhos hard power e terem um filho. Pelo menos não o criando do jeito que a gente cria.
O problema é esse, eu nunca consegui terceirizar muito a coisa. E, ao mesmo tempo, não tenho vocação para mãe em período integral. Então eu dividia o fardo com o pai, nada mais justo. Eu ficava de manhã, brincava, passeava, saia para trabalhar um pouco, voltava, almoçava, levava na escola. Ele pegava na escola, dava janta, brincava mais. Nós nos revezávamos no colocar para dormir.
Desde abril, o esquema degringolou. Sem o pai na equação, eu passei a ser uma mãe muito pior. Soma-se a isso o fato de a empregada ter saído para ter neném e a Lara ter detestado a nova. Ou seja, o pouco que eu conseguia terceirizar – uma troca de fralda, por exemplo – ela não aceitou mais. Então eu passei a fazer tudo o que eu fazia, mais o que a baba fazia, mais o que o pai fazia, mais, mais, mais.
Para piorar o cenário, a Lara, que já vinha há meses doente, só piorou. Nas últimas três semanas teve febre. Aos domingos. Quando o pai vai embora. É de cortar o coração.
E eu pulando – sozinha – de médico em médico, pediatra, homeopata, alergista. E tive que segurar sozinha minha filha para tirar sangue. Logo eu, que nem sequer a levava para tomar vacina – esse era o trabalho mor do pai.
E daqui a duas semanas eu me despeço do meu emprego que amo. Por uma temporada, até que ele consiga ser transferido para Brasília. E eu nem estou conseguindo viver esse luto porque, sinceramente, eu só quero que essa fase difícil acabe. Muita gente me falou para continuar no esquema ponte-aérea, mas, me digam, como? Nessa casa, o pai tem um papel importante demais e faz falta no dia-a-dia.
Sem a minha família por perto, ainda, aí é que não tem como mesmo. Continuando no meu trabalho hard power mega plus, sem horários, que me exige olhar o email às 8h e às 22h igualmente? Não dá mesmo. Não se eu quiser continuar sendo a mãe que eu quero ser.
Enfim, vou sair de um esquema trash para entrar em outro temporariamente trash, de mudança, encontrar novo ap, nova escola, nova empregada, novo emprego... É tanta coisa que à noite, quando vou rezar, não sei nem mais o que pedir. Peço saúde para minha filha, por favor, que isso é que mais me debilita. A vontade, mesmo, é de dormir e acordar quando tudo já estiver magicamente organizado e funcionando bem. Comofaz?

quarta-feira, maio 23, 2012


As tiradas aqui em casa estão minuto a minuto (e o problema é que a gente esquece se não registrar na hora, né?). Passamos o dia embasbacados, naquele nível de “onde é que essa menina aprendeu isso”.

-  Nas Americanas, vê uma revistinha da Monica (adora! Mas eu conto a história editada, tirando as porradas no Cebolinha, hehe), pega e diz “eba, vô compá”. Corre e entrega para o Caixa – “pagá moço”.
- Vê uma brinquedoteca: “eba, binquedo, vamu gente. Mamãe, tá abeto (aberto)?”.
- Na livraria, com o livro no colo: “ela uma veiz...”
- Vê um neném chorando e diz: “não chóia, neném, vô pegá chupeta” – e olha que ela nem sequer chupa chupeta.
- Pega meu celular, que não liga, e diz: “tá sem bateía”
- Termina de se vestir e diz "mamãe, ó o luk (look)"
- De tanto eu limpar o nariz dela o dia inteiro, vem atrás de mim com o dedo sujo: “mamãe, meeca (meleca) gigante, mimpa (limpa). Ó o tamano (tamanho).

Se eu conto, ninguém acredita!


quarta-feira, maio 16, 2012

Eu estou vivendo la vida loca

SEM marido, que, por causa do trabalho, está em outra cidade
SEM babá/empregada que, grávida, está de repouso
COM uma babá/empregada nova que começa semana que vem e meodeos como isso é complexo
COM a Lara que emenda doencinha em doencinha e está no terceiro antibiótico do ano
SEM conseguir marcar consulta em nenhum homeopata que me indicam, não quero mais você alopatia COM uma filha que, por causa dos remédios, teve uma dor de barriga tão forte que a fez chorar de 3h45 às 4h45 sem parar, eu sem saber o que fazer, dei analgésico, remédio para pum, até que um banho de cocô levou a dor embora e ela foi dormindo e dizendo “acabou, acabou”. Eu chorava e tinha ânsia de vômito ao mesmo tempo
COM trabalho porque minhas férias tiveram 40 dias, mas, ainda assim, eles acabaram. Aí toca ter que trabalhar na hora do almoço, arruma alguém para levar a Lara na escola, sai tarde do trabalho, vai buscar Lara na casa da sogra. Aí ou ela já dormiu e não quer dormir nunca mais, ou está cantando “não vai valer, noventa e nooooove*”
COM Damien Rice tocando no som porque não basta estar vivendo um inferno, tem que ter trilha sonora deprimente corta-pulsos
COM Grey’s Anatomy em dia, porque só Shonda Rhimes consegue fazer algo tão dramático quanto eu COM muita comida gordurosa, muita comida congelada, cachorro quente no lanche, muito chocolate, porque eu não tenho marido para me abraçar, então eu durmo abraçada no ovo de páscoa
COM um ponto de interrogação gigantesco na minha cabeça. Should I stay (how?) or should I go (I don´t want to!)

 *música da abertura da novela das

19h PS: E com uma menina que OMG é muito fofa e inteligente, que viaja tanto de avião que se diz igual à barata (aquela que sempre diz que viaja de avião) que já me pergunta “mamãe, tá chorando? Tá feliz?”. que sabe dizer em cada cidade mora seus entes queridos espalhados por esse país!