quinta-feira, abril 03, 2008

Pré-julgamento

A Renata levantou a bola e eu me lembrei: Caso Escola Base. Essas três palavras são capazes de calar qualquer jornalista em uma discussão, principalmente em casos de pré-julgamento.
Em 1994, a imprensa noticiou que os donos da Escola Base, no bairro da Aclimação, em São Paulo, abusavam de crianças de cinco e seis anos. Os transportadores estariam envolvidos no “esquema”. Imaginação infantil + mães desesperadas + um delegado que queria aparecer. Nada ficou provado, o inquérito foi arquivado, as reputações dos donos da escola foram destruídas para sempre.
Lembro sempre desse caso toda vez que a imprensa condena alguém antes mesmo do juiz. Não estou querendo defender ninguém aqui. Mas, imagina se o pai dessa Isabela for inocente? Como parecem ser os da Madaleine, na Inglaterra, que foram acusados sucessivas vezes. Imagina a dor de ter seu filho morto ou desaparecido e você ainda ser acusado.
Lembram do caso da cocaína na mamadeira? Uma mãe foi acusada de ter colocado cocaína no leite da filha pequena, que morreu. Laudo final: não havia droga nenhuma na mamadeira.
Eu sou jornalista, e sei o quanto é difícil se segurar diante de uma provável bomba (ainda mais eu, que sou super ansiosa). Mas é preciso ter responsabilidade, e ir devagar antes de julgar alguém. Eu não sei que provas a polícia tem, ou se têm alguma. Mas espero que o assassino real seja preso e os inocentes saiam ilesos dessa história.


PS: Quem quiser saber mais sobre o caso Escola Base, tem um livro excelente “Caso Escola Base Os Abusos da Imprensa”, de Alex Ribeiro.

2 comentários:

Renata R. disse...

Lembrou bem desses casos, Lolo. Triste se isso se repetir, né?

KAZINHA LACERDA disse...

o problema é sempre o pré julgamento.
As coisas sempre são vistas superficialmente, sem uma análise real do contexto do caso.
Eu tava em Taubaté, e fiquei em cima do caso da mamadeira, pq era assunto dia sim dia tb lá na redação...
a menina tinha todo um histórico que levou os policiais a tirarem conclusões precipitadas.
ela não era santa.
mas tb não era louca.